"Tms q aprndr a ler u mund ntndnd us códgs pls cuais l é, lit ralmnt, scritu."

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"O Lixo é um Luxo." "O saber é o princípio, e a fala, e o verbo." "A Suprema Sabedoria ensina que o certo é não subir muito alto, nem descer muito baixo." (Professor José da Cruz)

Todos os caminhos. Todas as vidas. Todas as sensuras. "A vida é um curso e um percurso. É preciso aprender. É preciso caminhar." (Prof. José da Cruz)

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Humorista,professor,jornalista, fotógrafo, católico, questionador, humano, amante das artes Rsssrsrsssrs

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A Família...


Contrato de Amor
(Por José da Cruz)

Certo dia Deus caminhava apreensivo em meio a um serrado num vendaval maluco quando teve uma idéia genial e começou a criar um ser, não muito grandioso, não muito correto, não muito bonito, não muito sensível, não muito legal; meio chato meio bom, meio amável, meio maluco, meio ordeiro, meio injusto; muito duro muito mau, muito radical, muito vulnerável, muito preso aos conceitos e preconceitos, muito preso ao passado, muito preso às estruturas sociais. Era um ser grande e pequeno, honesto e desonesto, correto e incorreto, moral e imoral; cheio de sabedoria e de imbecilidades, cheio de erros e acertos, cheio de honras e glórias, louvores e pecados. Deus sorria enquanto criava e a ventania aumentava. Deus caminhava, pisava em espinhos, segurava aqui e ali e seu ser ia tomando forma. O ser quase não sorria, quase não falava, quase não entendia, quase não tinha tempo, não compreendia o tão compreensível, e parecia entender todas as fórmulas e normas, parecia não ver as coisas ali bem próximas do seu nariz e parecia ver as coisas do outro lado da serra. Era um ser cansado e incansável num paradoxo total. Tinha cansaço para as brincadeiras mais singelas e não tinha para trabalhos tão pesados, quando sorria parecia anjo, quando perdia a paciência parecia demônio. Pegava no pé como chulé, era chato como uma espada quando começava a ditar suas regras como um Hitler, era meigo, de vastos sentimentos nobres e amava seus filhos como um Deus. Colocando as mãos para trás Deus capta no vento a tábua da responsabilidade e da preocupação e a coloca em seus ombros; a este ser horrendo, necessário e lindo Deus deu, sorrindo, o nome de Pai. Sobreveio a tarde e depois a manhã: este foi o oitavo dia.


Certo dia Deus caminhava em meio ao jardim celeste quando teve uma idéia genial e começou a criar um ser, não muito pequeno, não muito incorreto, não muito feio, não muito insensível, não muito desagradável; meio chato meio bom, meio amável, meio maluco, meio ordeiro, meio injusto, meio duro, meio mal; muito radical muito vulnerável, muito preso a facilidades e liberdades, muito aquém do presente e do futuro, muito livre das estruturas sociais e das visões radicais. Era grande e pequeno, honesto e desonesto, correto e incorreto, moral e imoral; cheio de canduras e simplicidades, cheio de erros e acertos, cheio de honras e glórias, louvores e luzes. Deus sorria enquanto criava e o jardim florescia. Deus caminhava, olhava as flores, sentia a brisa e seu ser fluía pequeno e belo. Quase sempre sorria, quase sempre falava, quase sempre entendia, quase não lhe faltava tempo, compreendia o incompreensível e jamais entendia e aceitava as formas e as normas, parecia sempre ver as coisas ali do lado e não se preocupava com as coisas mais além. Era um ser incansável sem paradoxo, a não ser o de ser grande por dentro e pequeno por fora. Tinha cansaço só para trabalho e incompreensão para com essa coisa horrível e desnecessária chamada trabalho, não se cansava nunca e com coisa alguma que lhe fosse interessante, quando sorria era anjo puro e de pura cativação, quando perdia a paciência chorava e continuava parecendo anjo. Não pegava no pé, nem era chato mesmo que ficasse tentando brincar o tempo todo, todo o tempo; era belo como um jardim e livre como o vento, meigo como a própria meiguice, de vastos sentimentos nobres e amava a seus pais como um Filho de Deus. Colocando as mãos para trás Deus capta em meio às flores a tábua das ilusões e das despreocupações e a coloca em seus ombros; a este ser sensível, agradável, necessário e lindo Deus deu, sorrindo, o nome de filho. Sobreveio a tarde e depois a manhã: este foi o nono dia.


Certo dia Deus dormitava sentado sobre as nuvens, quando teve um belo sonho de amor, acordou sorrindo, coçou o peito, coração disparado, estava jubiloso, mandou um anjo chamar aos dois seres e quando chegaram Deus deu um vasto sorriso e determinou: “Vocês são o que de mais belo completo e semelhantes tenho feito. Têm tudo para me fazer sorrir e ficar feliz como quando acordei há pouco. Irão para a terra, morarão juntos e tentarão se entenderem. Quando conseguir entender um ao outro, pelo menos, pela metade terei alcançado meu objetivo e formado família.” Sobreveio a tarde e depois a manhã: e este foi o último dia.

Certo dia Deus rola e rola sobre o acolchoado celeste. Não conseguia dormir. Vai caminhar sobre as estrelas, já é madrugada e a aurora desponta no horizonte. Teve uma idéia genial e começou a criar um ser. Muito grande, muito lindo, muito bom. De singular beleza e magnitude sem igual. Tinha a leveza dos beija-flores, a meiguice das borboletas e o cheiro das madrugadas. Tinha todas as preocupações e um enorme coração. Nos olhos brilhava a pureza, na face, a santidade. Com ele, nascia todos os sonhos, todos os perdões. Todos os projetos e ilusões. O amor, a caridade, a simplicidade e a candura nele faziam morada. Deus se empolgava, o amanhecer despontava cada vez mais belo e neste ser Deus coloca toda a beleza. Colocando as mãos para trás Deus capta as tábuas da germinação e da compreensão e a coloca em seus ombros. E Deus viu que isto era bom, muito bom. O dia já amanhecera, soprava uma brisa quente e aconchegante. Ele aponta para a terra e diz: “Vê aqueles dois pobres seres?! Amamentarás ao corpo e ego de um, e ao ego e corpo de outro. Serás cúmplice e companheira de um, e companheira e cúmplice de outro. A um darás à luz, ao outro também. Sorrirás e chorarás com eles e por eles, por seus corpos e projetos de vida, e também por ti. Poderás ser causa de queda para um e para o outro, assim como também é a salvação. Ambos guerrearão e morrerão por tua causa, assim como também o farás por eles. Poderás estar quase acima de Mim pois dei-te o poder de criar e amar a vida, como também poderás estar quase abaixo das piores espécies pois dei-te a paixão e a carne. Dei-te também as lágrimas e o sorriso, espero que aprendas a usar bem a ambos. Dei-te o maior dos presentes: o nome de mãe. Dou-te também aqueles dois seres para que cuides e sofra com eles e nisto estará toda a tua sublime missão. Vá, e cuide que não volte aqui sem teres salvo aos três.” Sobreveio a tarde e depois a manhã: e este foi o primeiro dia da criação.












(Obs. Para minha querida filha Jully em 26 de abril de 2004).

3 comentários:

Anônimo disse...

Lindo!
A familia é uma criação divina, abençoada, ser Pai constiuir uma familia amar e receber amor é maravilho,conseguir encontrar o equilibrio tem que deixar o amor prevalecer e também saber perdoar e aprender com os erros e acertos, não exite a formula certa para ser Pai + se saber conquistar o respeito e ser amigo tudo flui naturalmente.
Deus te abençoe e continue assim escrevendo lindas lições de vida e amor.
Cassia Cruz
08/09/07

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Di Cruz disse...

Obrigado, Cassinha.
Vc é smpre muito equilibrada e verdadeira. Deus t guarde smpre.
Com todos os seus.
Bjos.