"Tms q aprndr a ler u mund ntndnd us códgs pls cuais l é, lit ralmnt, scritu."

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"O Lixo é um Luxo." "O saber é o princípio, e a fala, e o verbo." "A Suprema Sabedoria ensina que o certo é não subir muito alto, nem descer muito baixo." (Professor José da Cruz)

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Na Hora do Voto...



O Candidato e o lavrador

(Autor Desconhecido – Versão José da Cruz)

Olá caboclo, bom dia, e então como vai você?

Vô indo bem seu doutô. Mais me adescurpa dizê.

Num mim alembro do sinhô. Quem é tu, posso sabê?

Ora caboclo, nunca ouviu falar do doutor Pereira?

Fui prefeito muito tempo no Arraial da Gameleira.

Onde eu tenho uma clínica médica, sou um político de carreira.

Aaah! Já uví falá do seu nome...Mai o queu tô ademirado...

É queu nunca vi o doutô andano pur êsses lado.

E agora pruquê razão, o sinhô dêxa o puvuado?

Pá vim cunversá na roça cum cabôco pé-rapado?!

Aí é que está o motivo de eu vir lhe visitar...

Pois eu sei que você passa o dia todo a labutar.

Carpindo a terra bruta, sem ninguém lhe auxiliar...

Por isso eu deixei a cidade e vim aqui lhe ajudar.

Ara douto, tô abismado... Só de ôvi o sinhô falá.

O doutô dexá a cidade... Num dá nem pá aquerditá!

Inda mai condo o doutô vem aqui mim arxiliá.

Óia essas mão fininha... Num vai se acustumá.

Ieu sei, o cabo da sem-graça vai suas mão calejá.

Mai já qui o doutô inseste... Vô um’a inchada te arrumá.

Sivirino, vá lá dento, apôis mim faça o favô...

Trais aquela cum cabo de guatambu. Qui o Zé da Xica ajeitô.

Qui é pá nóis apruveitá a bondade do doutô.

Esperem aí, não é isso... O caboclo entendeu mal!

As eleições vêm aí, e eu sou candidato a Deputado Federal...

Eu quero te auxiliar... Mas, lá no Congresso Nacional.

Bem queu achava impussive, tanta fartura hoje-in-dia...

Condo a ismola é dimais... Inté o santo discunfia.

Inda mais “doutô Perêra”, quem é qui querditaria?!

Mas, como eu ia dizendo... Eu quero é ser eleito.

Te auxiliar no congresso, defendendo os seus direitos.

Enquanto você trabalha, de sol-a-sol aqui no eito...

Eu luto para que a pátria, reconheça o vosso feito.

Êta cunversa bunita! Tem gogó pá mais de mêis...

Adispôis que se acha inleito, ninguém mais incronta ôcêis.

Só vamo vê o doutô nas inleição ôta vêis.

Mas não é bem assim...

Eu vim pedir o seu voto, que é a arma do cidadão.

Com ele você me elege, formamos a união.

Para juntos construirmos a grandeza da nação.

Munto bunito doutô, sua fala doce tem mé...

Mai o sinhô qué defendê a nação, lá na cidade, num é?

Mai aqui, pegado no guatambu, de sor-a-sor tu num qué.

Pois é daqui qui depende a Pátria, das lavôras do sertão.

Desses campo, dessas mata, dos calo das nossas mão.

Desses cabôco qui luta, sem nunca tê ricumpensa...

Sem istrada, sem ricurso... Sem remédio pás duença.

E o doutô se fô inleito, já qué omento drobado...

É uns tar de “subsíde” qui os pobre chama ordenado.

Pregunto: Pruquê a disiguardade? Se semo inguar brasilêro?!

O sinhô ganha mais num dia, do que nóis o ano intero...

Mas é justo que devemos, ganhar mais do que vocês...

Pois o que eu gasto num dia, vocês não gastam num mês.

Num gasto pruquê num tenho, mai ieu bem sei o qui é bão...

Ah! Seu pudesse pissuí... Tumove, vídicassete, tilevisão...

Pur isso o certo síria, vancêis num te ordenado,

Pá vê quem era no duro, um patriota apurado.

Garanto qui ninguém mai brigava, pá mode sê deputado.

E tem mai, se aqui a sêca acaba cum as prantação.

Num aparece ninguém, pá oiá nóis no sertão.

E pruquê só vem agora, nas épuca da inleição?!

É por que não temos tempo de abandonar a cidade.

Preocupado com os problemas que aflingem a sociedade.

Estudando e fazendo as leis que regem a humanidade.

Óia ôto erro doutô: se ieu fico sem trabaiá...

O patrão mim manda imbora, num tenho cum quem quexá.

Inconto ôcêis na assembréia, se quizé pode fartá.

Todo dia o ano intêro, ninguém vai te apurrinhá.

Ainda prucima recebe o ordenado integrá.

E se um dia o pobre cabôco, cançado da dura lida...

Fizé um erro, coitado! Tá preso, pá toda a vida.

Inconto vancêis doutô. Pode errá a vontade.

Num tem cadêia purque goza, das tar de imunidade.

Se o cabra é parlamentá, nem vê a delegacia.

A tar de lei inleitorá, aos crápula binificia.

É pur isso qui o congresso tá chêi de Juão Arve e PC Faria.

Se a gente vai no gabinete, cum arguma priucupação.

Nunca incronta o doutô qui tá sempre in riunião.

Telefone sempre ucupado, sempre caíno ligação...

A gente num incronta ôcêis, nem pá nuis dá sugestão.

Pur isso doutô, dá licença, tenho mais ucupação.

Sivirino, pega inchada. Vamo entrá no taião.

Qui cunversa de doutô num enche barriga não.


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