Professores, meus pêsames.
(Por Dom Black Breizil)
(Por Dom Black Breizil)
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Na verdade eu não estava é mesmo afim de falar coisa alguma... mas depois de ver pela tv, ao vivo, e ler tantas babaquices, bajulações vazias e cinismos... resolvi, vou falar.
É muita cretinice, muita sacanagem o que vem fazendo com a educação. O que qui há? Chega a ser doloroso. Você pode até não achar porque, certamente, não leciona numa sala de sétima, com 43 alunos a bordo. Eu sei, tô sabendo que "a bordo" é catacrético. Mas é isto mesmo que você entendeu. É no sentido de que estamos todos à deriva ou afundando.
Agora, vamos combinar. Tá certo que a gente já sofre o descaso, descasinho, descasão e descasaço... se fosse possível a concretização desses termos, mas... o certo seria mesmo usar descasérrimos, por parte das autoridades, do sistema, do governo... e assim sucessivamente... da sociedade... das intituições... e por aí vai. Mas cinismo, no dia do professor, quando a gente foi obrigado a trabalhar nesse dia, como outro dia qualquer... ah já é dimais, né não?!
Complicado também é ver pela tv e às vezes até ao vivo, algumas figuras que aparecem pra ensinar, como se deve ensinar, como se deve avaliar... êpa... tenha dó. Dá pra ver de longe, até pra cego... que não sabem, muito bem o que estão dizendo. O que estão propondo não bate, nem com a realidade, nem com as condições intrínsecas, nem com as necessidades do nosso alunado. Tenha a santa paciência, gente. Vamo pará. Se não dá pra ter santa paciência, que tenha pelo menos paciência. Pare com esse negócio de fazer coisas pra inglês ver. E já chega de tanto cinísmo. A construção do saber, a somatória do conhecimento, os entendimentos necessários para as práticas saudáveis do dia-a-dia, seguramente, não passam pelos famigerados projetos, intervenções lúdicas, ou as famosas tabelinhas de acompanhamento produtivo... ah... me poupe. Essas tontices, algumas até já crônicas. Não servem pra muita coisa, a não ser pra confirmar na crendice de muita gente boa, de que o sistema não quer aprendizagem nenhum "porque um povo quanto mais burro, melhor de conduzir." Conforme me afirmou anteontem um velho professor de matemática. "A burrice, nesse país, não é aritimética, mas é somatória e isso facilita o produto interno bruto."
Sinto dizer, meus queridos. Mas o problema da educação. Não será resolvido, nem no sistema pão e circo, nem na projetomania, nem na concepção do dê-me lá que eu te dou cá. Sequer, o problema da educação será resolvido, resolvendo o problema financeiro do professor. Passa por aí também, porque não dá pra conceber que um policial militar raso em início de carreira, ganhe quase três vezes mais que um professor, que limpou banco da faculdade por quatro anos e meio. E não estou dizendo que o policial ganhe bem... o que estou dizendo é que o professor ganha péssimo. No entanto, podes crer, o problema da educação será resolvido não somente, resolvendo o problema financeiro do professor, (tem de parar com essa crendice de que ser professor é uma missão,) mas, mais ainda, esse problema passa obrigatóriamente pela valorização do profissional da educação, como ser, como pessoa, como gente, como profissional, como professor.
Grave um dia inteiro da programação da Globo e faça um levantamento depois, que vocês verão do que estou falando. Todas as vezes que falar da educação, o professor será: ou menosprezado, ou axincalhado, ou criticado, ou diminuido, ou... e isso é na grande maioria das vezes, responsabilizado pelas falhas da educação. E como a globo, segue-se todas as grandes midiáticas do país. Escrito, falado ou televisionado. Até a TV Escola. Tem a tendência a "maiar" o professor pelos desacertos da educação. Às vezes, não diretamente, é fato. Mas indiretamente, toda a mídia menospreza a atuação do profissional da educação.
Bem, se a mídia o faz, a sociedade inteira, o faz. As instituições, o fazem. Até líderes religiosos, o fazem, talvez por tabela da mídia, mas fazem. Os pais, tem um total descrédito e desrespeito para com o trabalho do profissional da educação, e infelizmente, isso acontece até com colegas de profissão. E quem está dizendo isso, é um profissional jornalista, radialista, idealista, que deixou parcialmente as outras atividades e vive há vinte anos, a realidade do professorado. Se não se acredita no trabalho do profissional da educação, como querem que o aluno aprenda?! Se você não acredita nessa prática, como quer que o aluno acredite?! Se você desrepeita o profissional da educação, como quer que o aluno respeita-o?! Se o aluno não o respeita, como vai aprender olhando pra ele?! O aluno não para pra me ouvir por vontade própria, ciência da necessidade ou respeito mas porque eu falo mais alto que ele, ou porque grito, ou porque ameaço, ou porque faço tudo isso junto.
Se na cabeça do jovem, o profissional que ele tem na frente vale menos que um verme. Porque essa idéia na cabeça dele foi colocada ali pelo sistema midiático existente, pela família, sociedade, pelos colegas e pelos próprios profissionais da educação, midianet e o resto... por que é que ele vai acreditar naquilo que o professor tá falando ou fazendo ali?!
Acredite, meus queridos. Se o aluno não parar pra me ouvir por livre e expontânea vontade, por crença, por ciência da necessidade, por respeito... não vai nunca haver aprendizado. Porque “A Construção do conhecimento passa pela angústia do desapego e pela agonia do raciocínio.” (Professor José da Cruz - in A Educação no Século XX) E o alunado não vai apostar neste desgaste, se não houver respeito para com o vetor agente desse processo.
Portanto, meus querido. Esqueça, se não houver, valorização do profissional da educação, não existe, nenhum possibilidade, de que o problema da educação seja resolvido. E com esse desgaste, trabalhado ardilhosamente pela mídia, ao longo de tantos anos... o problema da educação, talvez leve alguns, bons, 20 anos para ser resolvido. Infelizmente, assim o é. Abraços Colegas.
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