
Terrível Gentileza
(José da Cruz)
"Morra
Não...
Assim não.
Deite no chão
Lá do lixão.
E se cubra
De papelão
Degradável.
Não olhe
Não engula
Não se molhe...
Fale baixo.
Não atravesse a rua
Não fique nua...
Fique na tua.
Não veja a lua.
Compre batom...
que bom, q bon, kibom.
Proibido sentar
Proibido amar
Proibido cantar
Proibido chorar
Proibido proibir...
Viver é proibido.
Drogas matam...
A poluição ...
Os bandidos...
A milícia...
A polícia.
Vá sentar noutro lugar.
Não coma isso tudo...
Fique mudo
Fique rudo
Surdo.
Desligue a tv...
O celular
O computador
O senso de humor.
Tranque o portão...
A mansão...
A ilusão, o coração.
Viva a solidão.
Feche a geladeira
A torneira...
A mamadeira.
A carteira...
O palitó de madeira.
Não caia,
Não saia.
Nada de serra
De maracutaia...
De terra, ou de praia.
Não faça alarde
Não chegue tarde.
Desista,
Não insista.
Não dê pista...
Concorde.
Não morda...
Não reclame.
Não corra
Não morra
Vegete." (J. Cruz)
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